Pintura a óleo – Ilustrações de Silva Dunduro, em “Na aldeia dos crocodilos”, de Adelino Timóteo.

A técnica de pintura a óleo é uma das técnicas mais antigas e tradicionais das artes plásticas.

Quase todos os documentos de história da arte dizem que essa técnica de pintura surgiu na Europa no século XV. Porém, quando em 2001, no Afeganistão, foram destruídas estátuas gigantes de Buda, pesquisadores encontraram cavernas com milhares de imagens decoradas com pinturas de Buda e seres mitológicos, feitas entre os séculos V e IX. As surpreendentes imagens tinham sido feitas com tinta a óleo, o que significa que essa técnica já era utilizada na Ásia antes de chegar à Europa. Naquela época, as tintas eram feitas à base de nozes e sementes de plantas.

A pintura a óleo, apesar de antiga, ainda é muito utilizada. As tintas são aplicadas em superfícies de madeira ou tela de algodão cru, ou sobre outros materiais, com pincéis ou espátulas. A espessura da tinta depende do efeito buscado pelo pintor. A tinta seca lentamente, o que permite ao artista alterar seu trabalho durante muito tempo, se ele quiser.

Algumas das obras de arte mais famosas do mundo, como a “Mona Lisa” (1503), do italiano Leonardo da Vinci, “A noite estrelada” (1889), do holandês Vincent van Gogh, e o “Abaporu” (1928), da brasileira Tarsila do Amaral, foram pintadas com o uso dessa técnica.

Citar como:
TIMÓTEO, Adelino. Na aldeia dos crocodilos. Ilustrações de Silva Dunduro. São Paulo: Kapulana, 2018 [Contos de Moçambique, v. 7].

Nanquim – As ilustrações de Celestino Mudaulane em “Wazi”, de Rogério Manjate

O Nanquim é uma técnica antiga, que se originou na China, na região da cidade de Nanjing, que já foi a capital chinesa. Essa tinta também foi muito utilizada na Índia, mas ganhou popularidade pelo seu uso no Japão. O nanquim é um material muito usado para a escrita, a pintura e também para o desenho.

Documentos de cerca de 2 mil a. C. comprovam que, na China, o nanquim já era utilizado em manuscritos. Geralmente, a tinta era utilizada em papel, pergaminho ou telas de seda, com pincéis e canetas de bambu (o que originou artes tradicionais como a Caligrafia e o Sumiê). Na Europa, o nanquim era utilizado com canetas bico-de-pena, que, no início, eram feitas de penas de corvos com a extremidade apontada; depois, evoluiu para penas de aço e canetas recarregáveis.

Por muito tempo, o nanquim foi obtido a partir da tinta preta liberada por moluscos marinhos da família dos octópodes. Atualmente, as tintas são fabricadas a partir de uma combinação de cânfora, gelatina e um pó de cor escura conhecido como pó de sapato (fuligem ou negro de fumo), muito usado na pigmentação de outros produtos de cor negra. Ele é uma das variedades mais puras de carvão.

O nanquim é uma tinta que dá ao artista a possibilidade de criar texturas lineares e dar um aspecto detalhista às obras. A tinta tem uma cor saturada e intensa, dando nitidez e clareza aos desenhos.

Citar como:
MANJATE, Rogério. Wazi. Ilustrações de Celestino Mudaulane. São Paulo: Kapulana, 2017 [Contos de Moçambique, v. 6].

Ana Mafalda Leite, ensaísta, docente e poeta, apresentou seu novo livro de poemas, publicado pela Editora Kapulana no Brasil

Na última semana de novembro, a conceituada escritora portuguesa Ana Mafalda Leite esteve no Brasil participando de várias atividades ligadas à cultura e a expressão da língua portuguesa nas literaturas.

Durante a Festa do Livro da USP, Ana Mafalda apresentou seu livro inédito de poemas, publicado pela editora Kapulana: Outras fronteiras: fragmentos de narrativas. A obra poética é enriquecida pelo ensaio da Profa. Carmen Tindó Secco, intitulado “Outras fronteiras: o brilho dos pirilampos e os fragmentos da memória”.

Ana Mafalda Leite nasceu em Portugal, e seu berço afetivo e cultural foi Moçambique, onde viveu na sua juventude e iniciou seus estudos universitários. Ao retornar a Portugal, dedicou seus estudos, e seus versos, à expressão cultural e literária desse país africano banhado pelo Oceano Índico. 

Seu novo livro revela as impressões existenciais da autora, que rompe as fronteiras tradicionais entre os povos por meio de seus versos. O leitor, então, é convidado a viajar com goeses, indianos, portugueses e moçambicanos pelos versos de Ana Mafalda, que ainda revela nas entrelinhas sua vivência brasileira.

No primeiro semestre de 2018, Ana Mafalda Leite estará de volta ao Brasil, quando participará de evento com sessão de autógrafos e conversas sobre seu novo livro, que já está disponível nas lojas brasileiras.

São Paulo, 06 de dezembro de 2017.

Saiba mais sobre o livro Outras fronteiras: fragmentos de narrativashttp://www.kapulana.com.br/produto/outras-fronteiras-fragmentos-de-narrativas/

Saiba mais sobre a autora Ana Mafalda Leite: http://www.kapulana.com.br/ana-mafalda-leite/

Leia o posfácio de Carmen L. T. Secco: http://www.kapulana.com.br/posfacio-do-livro-outras-fronteiras-fragmentos-de-narrrativas-por-carmen-lucia-tindo-secco/

Lançamento do livro Nós matamos o Cão Tinhoso!, do moçambicano Luís Bernardo Honwana, no centro cultural Tapera Taperá, em São Paulo

A Editora Kapulana lançou o livro Nós matamos o Cão Tinhoso! no centro cultural Taperá Tapera, no centro de São Paulo

Na noite de quarta-feira, 22 de novembro de 2017, aconteceu o lançamento do livro Nós matamos o Cão Tinhoso!, do moçambicano Luís Bernardo Honwana, mais recente publicação da Editora Kapulana. O evento ocorreu no centro cultural Tapera Taperá, que conta com biblioteca e livraria, no centro da cidade de São Paulo.

A Kapulana organizou uma mesa com roda de conversas mediada pela jornalista Rosane Queiroz, e que contou com a posfaciadora do livro, Vima Lia de Rossi, professora e pesquisadora da Letras-USP; com Luciana Bento, socióloga e blogueira, do Instagram “A mãe preta”; e com Oswaldo Faustino, jornalista e ativista do movimento negro. Além disso, a artista Daisy Serena leu trechos selecionados do livro, adicionando ainda mais emoção ao encontro.

Os convidados tiveram a oportunidade de ouvir os relatos e as impressões dos participantes da mesa sobre o livro Nós matamos o Cão Tinhoso!, relataram o impacto que a leitura dos contos causou neles e ofereceram teorias e interpretações diversas sobre os contos de Honwana. Após as falas dos três participantes da mesa, a conversa foi aberta para o público, que pôde dividir seus próprios sentimentos sobre este livro marcante.

Ficou evidente pela fala de todos os presentes o quanto o livro era aguardado por estudiosos da literatura africana e por leitores apaixonados pela boa literatura. Todos os que ofereceram suas impressões tinham algo a dizer sobre como Nós matamos o Cão Tinhoso! os havia marcado, em leituras antigas e recentes.

Nós matamos o Cão Tinhoso! apresenta sete contos nos quais Luís Bernardo Honwana denuncia e contesta a realidade brutal de Moçambique na época do colonialismo. O autor surpreende e inova ao trazer o olhar de narradores que ainda são crianças, suscitando diversas interpretações. A edição da Editora Kapulana traz, ainda, um conto nunca antes publicado em livro, “Rosita, até morrer”.

A Kapulana agradece aos participantes da mesa, que, trazendo seus sentimentos sobre esta obra fundamental, estimularam uma conversa aberta e interessante, e ao público presente, que enriqueceu o debate com suas impressões. Também agradece a Tapera Taperá por acolher o Cão Tinhoso e participar do retorno de Honwana ao Brasil.

São Paulo, 23 de novembro de 2017.

Saiba mais sobre o livro Nós matamos o Cão Tinhoso!http://www.kapulana.com.br/produto/nos-matamos-o-cao-tinhoso/

Saiba mais sobre o autor Luís Bernardo Honwana: http://www.kapulana.com.br/biografia-de-luis-bernardo-honwana/

A violência do colonialismo pelo olhar de Luís Bernardo Honwana, por Vima Lia de Rossi Martin

A origem de Nós matamos o Cão Tinhoso! De autoria de Luís Bernardo Honwana, o volume de contos Nós matamos o Cão Tinhoso! é um marco da literatura moçambicana. Publicado em Moçambique em 1964, em uma edição do próprio autor, que na altura tinha apenas 22 anos, a obra foi alvo de polêmica, sendo criticada por parte daqueles que defendiam o colonialismo e simpatizavam com o regime do ditador português António de Oliveira Salazar, e aclamada por aqueles que, portadores de ideias nacionalistas, defendiam a liberdade e a autonomia do país.
Assim, no mesmo ano em que tem início a luta pela independência, conquistada apenas em 1975, a coletânea de Honwana – que ficou preso de 1964 a 1967 devido à sua militância junto à FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique) – agita o panorama literário moçambicano. Seu livro é celebrado por poetas importantes, como José Craveirinha e Rui Knopfli, que reconheceram de imediato seu caráter questionador das estruturas de poder vigentes e saudaram o fato de que a obra punha em movimento a produção em prosa no país, estagnada desde a publicação de Godido e outros contos, de João Dias, em 1952.

Aspectos das narrativas

O volume é composto por sete contos que, de modo geral, recriam a atmosfera asfixiante vivida pelos trabalhadores colonizados e suas famílias e acabam por operar uma denúncia da violência material e simbólica, do racismo e de toda a sorte de injustiças a que era submetida a população moçambicana pobre em meados do século passado. Alguns textos, como “Inventário de móveis e jacentes”, que pode ser lido como alegoria da imobilidade social, e “Dina”, são narrados desde uma perspectiva mais distanciada, que capta a realidade de maneira análoga a de uma câmera, capaz de registrar com agudeza e precisão os detalhes significativos de uma cena. Outros, como “Nós matamos o Cão Tinhoso!”, que dá título ao livro, o belíssimo “As mãos dos pretos”, e “Papá, cobra e eu”, dão destaque às experiências infantis – são as crianças que, ao tentarem entender a sua realidade e a de seus pais, irmãos e amigos, acabam por revelar as tensões e as contradições do universo colonial, rigidamente dividido entre patrões e empregados, colonos brancos e trabalhadores negros.
Os textos, protagonizados por personagens que frequentemente se veem sem saída diante das arbitrariedades do sistema colonial, mostram como o silenciamento diante das humilhações e dos abusos era sobretudo uma estratégia de sobrevivência, uma vez que a tirania do colonizador não deixava brechas para a contestação ou as revoltas pessoais. Na caraterização do doloroso cotidiano dos colonizados, ligado diretamente à terra trabalhada exaustivamente para o enriquecimento dos patrões, articulam-se elementos plenos de significado: animais como cachorros, aves e cobras; alimentos como o milho, o arroz, o caril de amendoim, a farinha e o vinho; profissões como a do administrador, do capataz, da professora, do veterinário, do enfermeiro e do chefe dos correios; e línguas como o changana, o ronga e o swazi são referidos como índices do dia a dia vivido pelos colonizados, estabelecendo um território de significados múltiplos e intricados, que dão vida própria à matéria narrada.

O Português africanizado

Outro aspecto fundamental da elaboração das histórias diz respeito ao modo como o escritor trabalha a língua portuguesa. Falante do ronga e do português, Honwana optou por representar o contexto sociocultural a partir da incorporação de palavras, expressões e modos de fala tipicamente moçambicanos. Termos como “chiça”, “maguerre”, “machamba” e “kuka”, por exemplo, aparecem nos textos como marcas de uma língua literária que se quer distinta da norma portuguesa. O autor nomeia, inclusive, duas das narrativas com termos africanos: “Dina” deriva do inglês dinner (marcando a influência dos contatos com o inglês falado na África do Sul, através sobretudo do trabalho nas minas); e “Nhinguitimo” significa tempestade, na língua ronga. Essa africanização do português europeu afirma uma identidade cultural e nacional, gesto fundamental no momento de luta pela emancipação do país.

Relações e intersecções

Interessante é notar, ainda, a circulação e a recepção da obra no contexto das literaturas africanas de língua portuguesa. Em 2007, o escritor angolano Ondjaki publica o livro de contos Os da minha rua. Nele, um conto faz referência explícita ao texto de Honwana: “Nós choramos pelo cão tinhoso”, título do conto de Ondjaki, narra a experiência de leitura do conto do autor moçambicano por um grupo de alunos da oitava série, numa aula de português em uma escola de Luanda. O contato com a história da morte do cachorro, levada a cabo por um grupo de crianças moçambicanas que, de certo modo, haviam introjetado toda a brutalidade do sistema colonial, deixa o grupo de estudantes angolanos perplexo e emocionado, atestando simultaneamente o potencial humanizador da literatura e um diálogo solidário entre as gentes e as literaturas de Moçambique e Angola.

A publicação no Brasil

No Brasil, o livro de Honwana recebeu apenas uma edição, em 1980, no âmbito da extinta coleção Autores Africanos, da Editora Ática, que foi um marco para o estudo das literaturas africanas no país. Por isso, para nós, leitores brasileiros, esta nova edição brasileira da Kapulana de Nós matamos o Cão Tinhoso! é mais do que oportuna. De um lado, trata-se de obra fundamental do campo literário moçambicano que, ao se tornar acessível, amplia nosso repertório e favorece o cumprimento da lei 11.645/08, responsável pela legitimação do estudo da história, das culturas e das literaturas africanas e indígenas em nosso país. De outro, as questões presentes no livro, tão reveladoras da opressão e da exploração caraterísticas do colonialismo português, ganham especial relevo no contexto de crise em que vivemos, no qual que se faz necessário reinventar formas de luta pela garantia dos direitos humanos.

São Paulo, setembro de 2017.

Citar como:
MARTIN, Vima Lia de Rossi. “A violência do colonialismo pelo olhar de Luís Bernardo Honwana”. Posfácio in: HONWANA, Luís Bernardo. Nós matamos o Cão Tinhoso!. São Paulo: Kapulana, 2017. (Série Vozes da África)

No mês da Consciência Negra, Francisco Noa, escritor e professor moçambicano, participa de eventos no Brasil.

No mês da Consciência Negra, o professor moçambicano Francisco Noa fez conferência no Rio de Janeiro e participou de atividades de Festa da Cultura Negra, em São Paulo.

O professor, ensaísta e reitor moçambicano Francisco Noa, autor de três livros publicados pela Editora Kapulana no Brasil, retornou ao nosso país para importantes atividades de intercâmbio cultural entre Moçambique e Brasil, em novembro deste ano:

Em 14/11/2017, Prof. Noa proferiu palestra na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, PUC-Rio, a convite da Prof. Dra. Regiane Matos, em atividade coordenada pelo Grupo de Estudos de História da África , Departamento de História e Departamento de Letras da conceituada universidade. O tema abordado, que despertou grande interesse de alunos e outros pesquisadores de literatura africana, foi “O telúrico e o mar: Moçambique entre a concentração e a dispersão identitária”.

No período de 16 a 18/11/2017, Prof. Noa participou da 5a edição da “FlinkSampa – Festa do Conhecimento, Literatura e Cultura Negra”, tradicional evento em comemoração ao Dia da Consciência Negra (20 de novembro), que ocorreu na Faculdade Zumbi dos Palmares,  na cidade de São Paulo.

No dia 16 de novembro, na FlinkSampa, Francisco Noa integrou uma mesa temática intitulada “No contexto das políticas públicas”. Fizeram também parte da mesa autoridades da Faculdade Zumbi dos Palmares e de órgãos governamentais brasileiros das áreas de Educação e de Políticas de Igualdade Racial. Ao público presente, majoritariamente formado por educadores da rede pública de ensino, foram apresentadas questões relativas às experiências educacionais do Brasil e de Moçambique, discutidas ao final da sessão.

No dia 18 de novembro, Francisco Noa participou de uma Roda de Conversa intitulada “África-Brasil: versos em laços”, com dois poetas de cabo-verdianos Filinto Elíseo e Armênio Vieira. A atividade foi mediada pela conceituada pesquisadora de literaturas africanas de língua portuguesa, Maria Nazareth Fonseca, professora da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Na ocasião, os três escritores africanos tiveram a oportunidade de apresentar suas ideias sobre as influências mútuas entre as literaturas do Brasil e Cabo Verde, o que despertou grande interesse do público, que interagiu com os escritores, colocando questões pertinentes à influência cultural entre os dois países.

O reitor moçambicano atendeu a um amplo programa de sessões culturais e literárias com destaque para as representações afro-brasileiras, como desfile de moda afro-brasileira, concurso literário, oficinas de artesanato etc.

A Editora Kapulana esteve presente na Feira de Livros da FlinkSampa, com obras de todos seus escritores moçambicanos como Aldino Muianga, Clemente Bata, Lica Sebastião, Lucílio Manjate, Luís Carlos Patraquim, Noémia de Sousa, Sangare Okapi, Suleiman Cassamo, Ungulani Ba Ka Khosa. Seus títulos infantis, de Moçambique e Angola, também estiveram à venda.

Os três livros de Francisco Noa publicados pela Kapulana tiveram bastante procura, particularmente o recém-lançado Uns e outros na literatura moçambicana, ensaios.

A Editora Kapulana agradece ao estimado escritor Francisco Noa, que sempre apoiou a editora em ações incansáveis para a promoção da literatura moçambicana no Brasil. A Kapulana agradece também à organização da FlinkSampa e da Faculdade Zumbi dos Palmares pela oportunidade de apresentar seu trabalho em prol da interação das culturas africana e brasileira por meio da literatura.

São Paulo, 20 de novembro de 2017.

Veja as fotos das atividadeshttp://www.kapulana.com.br/16-18112017-francisco-noa-escritor-mocambicano-na-flinksampa-em-sao-paulo-sp/

Sobre o escritor Francisco Noahttp://www.kapulana.com.br/francisco-noa/

Livros de Francisco Noa publicados no Brasil pela Kapulanahttp://www.kapulana.com.br/cientificos/

Leia o prefácio do livro Uns e outros na literatura moçambicana: “Meu encontro com Jorge Amado”: http://www.kapulana.com.br/o-meu-encontro-com-jorge-amado-por-francisco-noa/

Lançamento do livro “Nós matamos o Cão Tinhoso!”, do moçambicano Luís Bernardo Honwana

Lançamento do livro com mesa de debates e leitura de trechos do livro.

PARTICIPANTES
Vima Lia de Rossi Martin (posfaciadora do livro)
Oswaldo Faustino (jornalista e escritor)
Luciana Bento (do blog A mãe preta)
Rosane Queiroz (mediadora)
Daisy Serena (leitora e performer)

QUANDO:  22/11, 4a. f., 19h-21h

ONDE:
Centro Cultural Tapera Taperá (Galeria Metrópole)
Av. São Luís, 187 – Centro – Loja 29, 2º andar
São Paulo – SP – CEP 01046-001
Metrô República
Estacionamentos na Rua da Consolação
http://taperatapera.com.br/events/lancamento-e-leitura-nos-matamos-o-cao-tinhoso

 

Orgia dos loucos, de Ungulani Ba Ka Khosa

Orgia dos loucos, de Ungulani Ba Ka Khosa

FINALISTA DO PRÊMIO JABUTI 2017, categoria ILUSTRAÇÃO!

Em Orgia dos Loucos, de Ungulani Ba Ka Khosa, a artista Mariana Fujisawa fotografou recortes de papeis sobrepostos, em tons de branco, preto e cinza, de diferentes texturas. Os papeis foram talhados e fotografados, com incidência do sol, e sobrepostos sem colagem ou pintura. O resultado é um jogo de sombras com efeito tridimensional.

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Posfácio do livro “Roda das encarnações” – por Francisco Noa

Este é o quarto livro de poesia de Sónia Sultuane – Sonhos (2001), Imaginar o Poetizado (2006) e No Colo da Lua (2008) – e que se inscreve numa singular trajetória de uma escalada em que o acento na sensação se afirma como inapagável imagem de marca. Marca que adquire agora novos contornos, já insinuados em No Colo da Lua, onde claramente o misticismo se posiciona para funcionar como expressão apoteótica (ou superação?) da volúpia sensorial que define o estilo criativo desta voz que se insinua nesta e noutras margens do Índico.

            E é logo o título que nos prepara não para uma ruptura, ou inversão, mas para uma espécie de aliança estruturante entre o pendor sensorial e o apelo místico. A roda das encarnações convoca necessariamente as doutrinas sobre a transmigração da alma ao longo de tempos imemoriais, de vidas anteriores, de emoções não resolvidas nessas mesmas vidas. Isto é, aquilo a que vulgarmente se chama karma ou destino e que teria a ver com o ciclo de intenções, ações e consequências que precisa ser quebrado para ultrapassar e resolver uma espécie de bloqueio encerrado… na roda das encarnações.

            E a poesia parece funcionar, neste caso, como tentativa de purificação, de redenção e de sublimação dos desequilíbrios e das cargas negativas acumuladas nas diferentes vidas passadas. Obviamente, tudo isto só fará sentido para quem acredita na encarnação. Falo, entre outros, dos praticantes do hinduísmo, do budismo, ou das doutrinas místicas do Egito antigo. O espiritismo, entretanto, entende que essa transmigração não pode ser aleatória, mas deve representar uma progressão.

            Outra possibilidade, para quem não entende ou se distancia destas doutrinas, a decisão mais razoável, porque pragmática, é a do leitor fazer um pacto tácito e comunicativo com os poemas que esta obra nos proporciona e que oscilam entre a materialidade algumas vezes crua das sensações e a espiritualização das mesmas.

            No poema a abrir, “Roda das Encarnações”, título homônimo da obra, os dados ficam lançados:

 

            Sou os olhos do Universo,

                a boca molhada dos oceanos,

                as mãos da terra,

                sou os dedos das florestas,

                o amor que brota do nada,

                sou a liberdade das palavras quando gritam e rasgam o

                mundo,

                sou o que sinto sem pudor,

                […]

                sou o cosmos

                vivendo na harmonia da roda das encarnações.

 

            Surpreendemos, aqui, aquela que vai ser a nota dominante, contraditória por um lado, mas ao mesmo tempo conciliatória entre uma dimensão transcendente, cósmica (Sou os olhos do Universo/ sou o cosmos/ vivendo na harmonia da roda das encarnações) e uma dimensão sensualista, com um caráter transgressivo e lúbrico (sou o que sinto sem pudor). Neste particular, é como se assistíssemos a uma deriva pessoana de sentir tudo de todas as maneiras ou de então viver tudo de todos os lados, como se o sentir fosse, para todos os efeitos, uma espécie de centro existencial. Veja-se “Alma Inquieta”:

 

            fazendo calar o tropel sonoro

                da minha alma inquieta, sensorial,

                num recanto qualquer

                do jardim dos meus sentimentos.

 

            E num poema como “O teu nome é paixão”, a sensação emerge como a vertigem de uma onda, em que a conexão com o outro que se deseja e com quem se estabelece um diálogo íntimo faz com que tudo tenha sentido na voz que entretanto se agiganta:

 

            sinto que toda eu sou um poema dos sentidos, exuberante,

                cheia de viço e força, como se o meu corpo fosse um tronco

                onde o látex rebenta em belas lágrimas de âmbar.

                sinto-me analfabeta do amor, face à grandeza do teu amor

                sim o teu amor!!! …e que amor!!!….

 

            Não admira, pois, que seja a sinestesia a figura retórica que sobressai em porções generosas no lirismo poético de Sónia Sultuane. Exuberante rapsódia de sensações e emoções, a sinestesia acaba por instituir-se como reinvenção da própria sensação, seja ela tátil, visual, olfativa ou mesmo sonora:

 

            Um poema de descontentamento

                que enrola os meus sentimentos

                num xaile negro e na voz desconhecida

                que canta a minha dor.

 

            Seria ilusório, no entanto, acreditar que a peregrinação poética e sensorial de que o leitor é testemunha e cúmplice, nesta obra, assenta em exercícios gratuitos de irracionalidade lírica. A comprová-lo estão, entre outras, as demonstrações reiteradas de uma consciência do próprio fazer poético, de que poesia, afinal, são palavras: “As palavras são a exterioridade que reveste o meu coração” (Palavras); “Caminho com meus pés sem medo das palavras” (Vocabulário); “Só tu conheces o texto onde me reescrevo” (Pontuação); “Por ti/ dou todos os verbos autênticos que conheço” (Gramática).

            Será, porém, na espiritualização das sensações, no misticismo que atravessa grande parte dos poemas de Roda das Encarnações, onde uma espécie de aprofundamento e questionamento da existência individual, numa perspectiva atemporal, nos transporta para uma dimensão outra, diríamos mesmo inapreensível. Isto é, a mesma voz poética que, em algum momento, e assume como “uma vagabunda/ no mundo dos sentimentos”, procura, agora, levar-nos mais longe.

            Tal é o caso de uma viagem imaginária, difusa e onde o próprio limite é o Universo:

 

            nessa viagem de sonho sem norte nem sul

                procurando dentro de mim os desconhecidos

                oceanos que me purificarão,

                procurando dentro de mim a essência

                que mate a minha imensa sede de saber

                com a certeza de apenas servir a verdade

                do que sou

                nesta nova missão espiritual.

 

            E a poesia vai-se derramando numa religiosidade sem religião, onde Deus, Natureza, Universo, Tempo, Lugar, Cosmos, karma se entrelaçam num círculo mais de busca de transcendência do que propriamente da sua afirmação ou realização.

            E na intensa e envolvente dicotomia vida-morte, emerge um sentido de mortalidade da qual se renasce quase que indefinidamente, numa aparente negação dessa mesma dualidade. E aí percebemos que, sair da roda das encarnações, quando se sai, mais do que redenção, significa sobretudo abraçar a eternidade, superação das prisões que o corpo, isto é, as sensações foram engendrando na travessia do tempo e da memória.

Setembro de 2016.

Francisco Noa – Ensaísta, pesquisador de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, Reitor da Universidade Lúrio (UniLúrio), Moçambique.

Citar como:
NOA, Francisco. “Posfácio do livro Roda das encarnações”. Posfácio in: NOA, Francisco. Roda das encarnações. São Paulo: Kapulana, 2017. (Série Vozes da África)

Prefácio da 1ª edição moçambicana de Roda das Encarnações, de Sónia Sultuane, 2016 (Fundação Fernando Leite Couto). A ortografia foi atualizada em conformidade com o Acordo Ortográfico de 1990.

VIMA LIA DE ROSSI MARTIN

VIMA LIA DE ROSSI MARTIN é doutora em Letras pela Universidade de São Paulo e professora de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa na mesma instituição. Atua na graduação e na pós-graduação e é membro do Núcleo de Apoio à Pesquisa Brasil África (USP).

Publicou artigos em revistas nacionais e internacionais e também em livros. Desenvolve projetos de pesquisa nas áreas de literatura e marginalidade e ensino de literaturas de língua portuguesa.

É autora de obras didáticas de Língua Portuguesa para o Ensino Médio. Escreveu o posfácio do livro Nós matamos o Cão Tinhoso!, do moçambicano Luís Bernardo Honwana, da edição de 2017 da editora Kapulana.

OBRAS DA KAPULANA

MARTIN, VIMA L. R.. “A violência do colonialismo pelo olhar de Luís Bernardo Honwana”. Posfácio in: HONWANA, Luís Bernardo. Nós matamos o Cão Tinhoso!. São Paulo: Kapulana, 2017. [Vozes da África]

MARTIN, VIMA L. R.; MORAES, Anita M. R. de. O Brasil na poesia africana de língua portuguesa – antologia. São Paulo: Kapulana, 2019. [Vozes da África]

MARTIN, VIMA L. R.; MORAES, Anita M. R. de. “O Brasil e a poesia africana de língua portuguesa: perspectivas de leitura”. Posfácio in: .O Brasil na poesia moçambicana – antologia. São Paulo: Kapulana, 2019. [Vozes da África]

 

OUTRAS PUBLICAÇÕES

  • Revista Via Atlântica n. 34: Literatura e jornalismo. 34. ed. São Paulo: FFLCH/USP, 2018. v. 1. (Org. com CHAUVIN, J. (Org.) ; SALLA, T. M.)
  • Comparativismo contemporâneo. 1. ed. São Paulo: Portal de Livros Abertos da USP, 2017. v. 1. (Org. com VECCHIA, R. ; VASCONCELOS, M.)
  • Veredas da Palavra. 1. ed. São Paulo: Ática, 2016. v. 3. (Org. com ALVES, R. H.).
  • Revista Via Atlântica n. 28: Literatura e educação. 1. ed. São Paulo: , 2015. v. 1. (Org. com REZENDE, N. L.)
  • Língua Portuguesa. 1. ed. Curitiba: Positivo, 2013. v. 3. (Com ALVES, R. H.)
  • Língua Portuguesa – Projeto ECO. Curitiba: Positivo, 2010. v. 3. (Com ALVES, R. H.)
  • Literatura e marginalidade. 1. ed. São Paulo: Alameda, 2008. v. 1.
  • A língua portuguesa no mundo. São Paulo: Humanitas, 2008. v. 1. (Org. com Lima-Hernandes, M. C.; MARÇALO, M. J.; MICHELETTI, Guaraciaba)
  • Revista Via Atlântica n. 12. , 2007. v. 1. (Org. com CHAVES, R.)
  • Diálogos Críticos. Literatura e sociedade nos países de Língua Portuguesa. 1. ed. São Paulo: Arte e Ciência, 2005. v. 1.
  • Revista Via Atlântica n. 6. 1. ed. São Paulo: , 2004. v. 1. (Org. com GARMES, H.; MOTTA, P.; BUENO, A. F.)
  • Revista Via Atlântica n. 7. 1. ed. São Paulo: , 2004. v. 1. (Org. com GARMES, H.; MOTTA, P.; BUENO, A. F.)

Contação de história do livro Kambas para sempre, de Maria Celestina Fernandes, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional

A Editora Kapulana promoveu a contação de história do livro Kambas para sempre, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional

Na tarde da última quinta-feira, dia 12 de outubro de 2017, feriado do Dia das Crianças, aconteceu o mais recente lançamento da Editora Kapulana, do livro Kambas para Sempre, de autoria da angolana Maria Celestina Fernandes. O evento, uma contação dramatizada e musical da história, aconteceu na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, em São Paulo.

As artistas Mariana Rhormens e Ana Vitória Prudente apresentaram Angola, a editora Kapulana e a menina Lueji, protagonista do livro Kambas para sempre.

Antes mesmo do início da apresentação, as crianças já se aproximavam, curiosas pelos panos africanos coloridos que compunham o cenário, as capulanas, para saber o que iria acontecer. A contação teve músicas, rimas e muita interação com o público que se aglomerou para ouvir a história de Lueji.

Kambas para sempre é a história de uma menina com nome de rainha, Lueji, que aprende com a avó Cisca a importância de celebrar suas origens africanas e de ser forte para lidar com as diferenças e o preconceito.

Kambas para sempre quer dizer Amigas para sempre!

No final da apresentação, a contadora Mariana Rhormens leu uma mensagem enviada diretamente de Angola pela autora Maria Celestina Fernandes, agradecendo ao público brasileiro por ouvir sua história e expressando a importância da mensagem trazida por Lueji.

Agradecemos a todos que puderam comparecer ao evento e a parceria da Livraria Cultura que, através de disposição, apoio e gentileza, tornou possível mais uma contação bem-sucedida da Editora Kapulana.

São Paulo, 16 de outubro de 2017.

 

Saiba mais sobre o livro “Kambas para sempre”: http://www.kapulana.com.br/produto/kambas-para-sempre/

Saiba mais sobre a escritora Maria Celestina Fernandeshttp://www.kapulana.com.br/maria-celestina-fernandes/

Saiba mais sobre a ilustradora Mariana Fujisawahttp://www.kapulana.com.br/mariana-fujisawa/

Veja as fotos do lançamento: http://www.kapulana.com.br/12102017-lancamento-com-contacao-de-historia-kambas-para-sempre-na-livraria-cultura-do-conjunto-nacional-em-sao-paulo-sp/

Veja o vídeo do lançamento: https://youtu.be/0Q9HJk2FGCc


 

ROGÉRIO MANJATE

ROGÉRIO MANJATE nasceu em 1972, em Lourenço Marques, atual Maputo, capital de Moçambique.

É escritor e profissional de teatro, área na qual atua como ator, encenador e docente. Escreveu e dirigiu o premiado curta-metragem de ficção I love You (2007), e os documentários O meu marido está a negar (2007) e Quitupo Hoyê! (2015).

Atualmente, é docente e diretor do Curso de Teatro da Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane.

 

OBRAS DA KAPULANA

Wazi, Contos de Moçambique, v. 7,  2017.

OUTRAS PUBLICAÇÕES

  • Amor silvestre. Maputo: Ndjira, 2002.
  • Casa em flor. Maputo: Mwananga, 2004.
  • O coelho que fugiu da história. São Paulo: Ática, 2010.
  • Wazi. Maputo: Escola Portuguesa de Moçambique; Barcelona: Fundació Contes pel Món, 2011.
  • Cicatriz encarnada. Maputo: Cavalo do Mar, 2017.

PRÊMIOS, CONCURSOS E OUTRAS PARTICIPAÇÕES

  • Prémio Literário Telecomunicações de Moçambique (TDM), Contos, 2001.
  • Prêmio União Latina do Concurso Literário Guimarães Rosa/RFI, 2002.
  • Prémio de Literatura para Crianças do Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa, 2002.
  • Prémio 10 de Novembro de Poesia, 2005.

Roda das encarnações, de Sónia Sultuane

Roda das encarnações, de Sónia Sultuane

PRÉMIO FEMINA 2017 – MÉRITO NAS LETRAS – POESIA!

Em seu mais recente livro, Roda das encarnações, a poeta moçambicana Sónia Sultuane emociona o leitor ao revelar suas impressões mais profundas, como mulher, mãe, poeta e trabalhadora. Os poemas levam o leitor por um universo sensorial e místico em que as vivências espiritual e terrena se misturam.

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Lançamento no Brasil do livro Roda das Encarnações, se Sónia Sultuane

A editora Kapulana lançou, em 29/09/2017, livro de poemas da escritora moçambicana, Sónia Sultuane, inédita no Brasil

Na noite de 28 de setembro de 2017, a equipe da editora Kapulana recebeu para um evento exclusivo de lançamento de seu mais novo livro, Roda das encarnações, escritores, colaboradores e convidados que participam do processo de edição da editora e apoiam suas iniciativas em divulgar as Vozes da África no Brasil.

O evento, na sede da Kapulana em São Paulo, teve início às 19h e contou com a voz brasileira de Daisy Serena, que apresentou alguns poemas do livro com uma leitura emocionada de textos selecionados.

Na sequência, houve uma apresentação sobre a autora, pois este é seu primeiro livro lançado no Brasil. Nesta obra de caráter lírico, Sónia Sultuane emociona o leitor ao revelar suas impressões mais profundas, como mulher, mãe, poeta e trabalhadora africana.

Os presentes, de várias nacionalidades, como moçambicanos, brasileiros e portugueses, tiveram a oportunidade de ver a exposição de livros do catálogo da Kapulana e a confraternizar em um momento precioso de divulgação da cultura moçambicana.

A Kapulana agradece a todos por terem prestigiado com sua presença o lançamento de seu novo livro Roda das Encarnações, da poeta moçambicana Sónia Sultuane.

Agradece aos colaboradores que se empenharam para que o evento ocorresse com sucesso. Agradece à escritora de Moçambique, Sónia Sultuane, por confiar sua obra à Kapulana. Agradece à Fundação Fernando Leite Couto, editora do livro em Moçambique.

O encontro foi bastante agradável e importante para que a Kapulana sinta-se forte para continuar no seu caminho de divulgar vozes literárias que, muitas vezes, ainda não ecoam no Brasil.

O livro Roda das encarnações está disponível para venda na loja virtual da Editora Kapulana.

São Paulo, 02 de outubro de 2017.

 

Saiba mais sobre o livro: http://www.kapulana.com.br/produto/roda-das-encarnacoes/

Saiba mais sobre a escritora Sónia Sultuane: http://www.kapulana.com.br/sonia-sultuane/

https://www.youtube.com/watch?v=2XBPkOZ071o 

https://www.youtube.com/watch?v=5USAVQGunz4&feature=youtu.be

 


 

O meu encontro com Jorge Amado – por Francisco Noa

Já há muito ouvia falar do autor e das suas histórias, quando em finais da década de 70, li, pela primeira vez, uma obra sua e que iria ampliar e aprofundar o meu conhecimento, mesmo a distância, sobre o Brasil. Sobretudo sobre um certo Brasil, até aí para mim uma autêntica incógnita que, de certo modo, se prolonga até hoje. A minha primeira aproximação a esse Brasil profundo e enigmático tinha sido em meados da década de 70, com o filme Orfeu Negro, de Marcel Camus, de 1959, filmado nas favelas do Rio de Janeiro, em pleno Carnaval, e que deixou arregalados, pela descoberta que então fazia, os meus olhos então adolescentes.

O romance Jubiabá foi, pois, uma revelação de uma realidade que teve o condão de me deixar ligado a um mundo que ao mesmo tempo que me era profundamente desconhecido e desconcertante, me era tão próximo e tão familiar. O fato de os protagonistas serem dominantemente negros, com a sua origem africana bem vincada no desembaraço, na liberdade interior, no despojamento material, na espontaneidade, na alegria, na fraternidade e num misticismo entranhado concorria para que todo aquele mundo, de repente, fizesse parte de mim e eu dele.

O Morro do Capa Negro, onde o moleque Antônio Balduíno brincou e cresceu, era a Mafalala que me surgia inteira e palpitante na minha infância, no colorido das suas gentes, na animação do cotidiano, tranquilo e rotineiro, no fascínio de viver cada dia como se fosse o primeiro e o último, no jogo imprevisível de um destino que a todos irmanava, mesmo tendo em conta as nossas diferenças de cor, de origem e de formação.

A educação de Baldo, feita de histórias e de lendas, fazia dele um irmão mais velho, campeão das malandragens suburbanas, protetor dos fracos, desafiador de todos os tabus, exemplo a imitar no sucesso junto das meninas que desabrochavam para a vida e para o amor.

E a Bahia de Todos os Santos, feito Moçambique, colonial e ancestral, de oprimidos e de pessoas livres, de dominados e de privilegiados, dos rituais ditos pagãos, cristãos, muçulmanos, animistas, da miséria de muitos que davam sentido à vida de poucos, dos sons musicais que enchiam e faziam bailar as nossas existências, dos silêncios sábios dos mais velhos, das transgressões vigiadas e imediatamente punidas…

E o que mais me surpreendia em Jubiabá era perceber que os que normalmente não tinham direito a ter voz nem consciência passaram, pelo menos naquela ficção tão poderosamente real, a ter uma e outra, na galeria inesquecível e simbolicamente apelativa de personagens tão próximas, mas tão distantes como Zé Camarão, Mestre Manuel, Tia Luísa, Lindinalva…

Através de Jubiabá, redescobri as minhas próprias origens, reinterpretei meu lugar no mundo e no tempo. Enfim, foi uma leitura que se traduziu num ritual de passagem significativo e que me ajudou a amadurecer a minha relação com a literatura e com a vida.

Fevereiro de 2012.

Francisco Noa – Ensaísta, pesquisador de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, Reitor da Universidade Lúrio (UniLúrio), Moçambique.

Citar como:
NOA, Francisco. “O meu encontro com Jorge Amado”. Prólogo in: NOA, Francisco. Uns e outros na literatura moçambicanaEnsaios. São Paulo: Kapulana, 2017. (Série Ciências e Artes)

LUÍS BERNARDO HONWANA

LUÍS BERNARDO HONWANA nasceu em 1942, na cidade de Lourenço Marques, atual Maputo, capital de Moçambique), e cresceu em Moamba, cidade do interior, onde seu pai trabalhava como intérprete.

1964 foi o ano da primeira publicação de Nós matamos o Cão Tinhoso!. No mesmo ano, Honwana, militante da FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique), foi preso por suas atividades anticolonialismo, e permaneceu encarcerado por três anos.

Em 1970, foi para Portugal estudar Direito na Universidade Clássica de Lisboa.

Após a Independência de Moçambique, em 1975, foi nomeado Diretor de Gabinete do Presidente Samora Machel, e participou ativamente da vida política do país.

Em 1982, tornou-se Secretário de Estado da Cultura de Moçambique e, em 1986, foi nomeado Ministro da Cultura de Moçambique.

Em 1987, foi eleito membro do Conselho Executivo da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

Em 1991, fundou e foi o primeiro Presidente do Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa.

Em 1994, foi convidado para entrar para o Secretariado da UNESCO e foi nomeado Diretor do escritório regional da organização, com base na África do Sul.

Honwana é membro fundador da Organização Nacional dos Jornalistas de Moçambique, da Associação Moçambicana de Fotografia e da Associação dos Escritores Moçambicanos. Atualmente, é o diretor executivo da Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND).

OBRAS DA KAPULANA:

Nós matamos o Cão Tinhoso!, 2017 [Vozes da África].

OBRAS:

  • Nós matámos o Cão-Tinhoso! Lourenço Marques [atual Maputo], Moçambique: Sociedade de Imprensa de Moçambique, 1964. 1. ed. Ilustrações de Bertina Lopes (fragmentos de desenho).
  • “Rosita, até morrer” (conto). Vértice, Coimbra, Portugal, v. XXXI, n. 331-32, ago-set, 1971, p. 634-635; Domingo, Maputo, Moçambique, 31 jan. 1982, p. 18.
  • A velha casa de madeira e zinco. Maputo, Moçambique: Alcance Editores, 2017.

 TRADUÇÕES DE NÓS MATAMOS O CÃO TINHOSO!:

  • We killed mangy-dog and other Mozambique stories. de Dorothy Guedes. Londres, Inglaterra: Heinemann Educational Books, 1969.
  • Wir haben den Räudigen Hund getötet. Leipzig, Alemanha: Verlag Philipp Reclam, Erzählungen Taschenbuch, 1980.
  • Svarta Händer. Övers Birgitta de Mello Viana. Norsborg, Suécia: Hedenlans, 1980.
  • Nous avons tué le chien-teigneux. Dakar (Senegal), Abidjan (Costa do Marfim), Lomé (Togo): Les Nouvelles Éditions Africaines, 1983.
  • We killed mangy dog and other Mozambique stories. Trad. de Dorothy Guedes (1969). Harare, Zimbábue: Zimbabwe Publishing House, 1987.
  • Matamos al perro sarnoso. Havana, Cuba: Editorial Arte y Literatura, 1988.
  • Nous avons tué le chien-teigneux. de Michel Laban. Paris, França: Editions Chandeigne, 2006.
  • Nosotros matamos al perro-tiñoso. Madri, Espanha: Baobab Editorial, 2008.

EDIÇÕES ESPECIAIS SOBRE NÓS MATAMOS O CÃO TINHOSO!:

  • MACHUDE, Abudo. A recepção crítica de Nós Matámos o Cão-Tinhoso. Maputo, Moçambique: Alcance Editores, 2014.
  • TAVARES, Ana Paula e MENDONÇA, Fátima (Organizadoras). Nós Matámos o Cão-Tinhoso – Jornada comemorativa. Lisboa, Portugal: Fundação Calouste Gulbenkian; Theya Editores, 2014.

PRÊMIOS E DESTAQUES:

  • 1º lugar no Concurso Literário Internacional da revista The Classic, África do Sul, 1965.
  • “Prémio José Craveirinha de Literatura 2014”, Associação dos Escritores Moçambicanos, Moçambique.
  • Nós matamos o Cão Tinhoso! – Classificado entre os “100 melhores livros africanos do século XX” (Creative Writing), 2002. Uma iniciativa da “Zimbabwe International Book Fair”, com a colaboração de African Publishers Network (APNET), Pan-African Booksellers Association (PABA), associações de escritores africanos, conselhos para o desenvolvimento do livro e associações de bibliotecas.

 

 

Lançamento do livro angolano: “Kambas para sempre”, de Maria Celestina Fernandes

Lançamento de livro infantil com contação de história

QUANDO:  12/10 (Dia das Crianças) das 14h

ONDE: Livraria Cultura – Conjunto Nacional – Espaço Infantil

Av. Paulista, 2.073 – Bela Vista –  São Paulo, SP

CEP: 01311-940

https://www.livrariacultura.com.br/loja/livraria-cultura-conjunto-nacional-2000003/evento/lancamento-do-livro-kambas-para-sempre-de-maria-celestina-fernandes-6012440


 

Pintura digital – Ilustrações de “Kanova e o segredo da caveira”, de Pedro Pereira Lopes

Pintura digital é uma técnica de ilustração utilizada por artistas para a criação de suas pinturas no computador. O ilustrador tem acesso a uma tela virtual e a ferramentas digitais, como pincéis que simulam diversos tipos de texturas de tintas como óleo, aquarela e acrílica. Além disso, alguns instrumentos, somente presentes no computador, possibilitam efeitos diferentes das pinturas tradicionais feitas à mão, como o “conta-gotas” e ferramentas que possibilitam alterar nitidez, brilho e contraste. É uma técnica muito prática para os momentos de criação.

Em 1972, surgiu o software SuperPaint, marco importante para a evolução da técnica de pintura digital, pois foi o primeiro programa capaz de criar traços mais limpos, eliminando o serrilhamento, que é produzido quando se cria uma linha inclinada no computador. Por ser bastante versátil, a pintura digital passou a ser utilizada em diversas áreas da comunicação e das artes, como publicidade, jogos virtuais e ilustração de livros e revistas.

Uma das vantagens da pintura digital é poder corrigir um erro, acrescentar ou alterar algum traço durante qualquer etapa do processo artístico. Além disso, a variedade de texturas e ferramentas disponíveis provocou o surgimento de novas combinações de materiais e diferentes estilos de trabalho.

A pintura digital não substitui o tradicional desenho feito à mão. Trata-se de uma técnica inovadora de ilustração que convive com a prática do desenho feito à mão. Em ambos os casos, o valor do artista é o que garante a beleza e a qualidade da obra.

Citar como:
LOPES, Pedro Pereira. Kanova e o segredo da caveira. Ilustrações de Walter Zand. São Paulo: Kapulana, 2017 [Contos de Moçambique, v. 5].

ANA MAFALDA LEITE

ANA MAFALDA LEITE é ensaísta, docente e principalmente poeta, com mais de 30 anos de trajetória criando versos: seu primeiro livro de poemas, Em sombra acesa, foi publicado em 1984. Nasceu em Portugal, mas cresceu e fez os primeiros estudos universitários na Universidade Eduardo Mondlane, de Maputo, Moçambique.

É docente na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, com Mestrado em Literaturas Brasileira e Africanas de Língua Portuguesa e Doutora em Literaturas Africanas, sua área principal de investigação.  É Professora Associada com Agregação da Universidade de Lisboa, pesquisadora do ISEG do CEsA, com bolsa da FCT.

Desenvolveu pesquisa de Doutorado e Pós-Doutorado, na Escola de Estudos Orientais e Africanos (SOAS) da Universidade de Londres, na Universidade de Roma e na Universidade de Dakar.

Participa em eventos acadêmicos e culturais no Brasil, colaborando em mesas de debates e bancas de instituições que promovem reflexão sobre a literatura e a cultura de países de língua portuguesa. É autora de vários ensaios, traduções, artigos, introduções e resenhas críticas.

OBRAS DA KAPULANA

OUTRAS PUBLICAÇÕES

  • Em sombra acesa. Lisboa: Vega, 1984.
  • Canções de Alba. Lisboa: Vega, 1989.
  • Mariscando luas (em colaboração com Luís Carlos Patraquim e Roberto Chichorro). Lisboa: Vega, 1992.
  • Rosas da China. Lisboa: Quetzal Editores, 1999.
  • Passaporte do coração. Lisboa: Quetzal Editores, 2002.
  • Livro das Encantações. Lisboa: Caminho, 2005.
  • O Amor essa forma de desconhecimento. Maputo: Alcance Editores, 2010.
  • Livro das Encantações – Antologia (1984-2005). Maputo: Alcance Editores, 2010.

 ENSAIOS

  • A poética de José Craveirinha (1991).
  • Oralidades & Escritas pós-coloniais (2012).

PRÊMIOS

  • Prémio Femina Lusofonia de Literatura, 2015. Prêmio que agracia as Notáveis Mulheres Portuguesas e da Lusofonia, oriundas de Portugal, dos Países de Expressão Portuguesa, das Comunidades Portuguesas e Lusófonas, e Luso-descendentes, que se tenham distinguido com mérito ao nível profissional, cultural e humanitário no Mundo, pelo Conhecimento e pelo seu relacionamento com outras Culturas.

Canções do caos, vozes brasileiras – Apresentação

Tivemos o prazer de conhecer as quatro autoras da coletânea Canções do caosvozes brasileiras no decorrer da história da Editora Kapulana. Recebemos os textos de Adriana Cecchi e Andrea Lucia Barros já há algum tempo e, imediatamente, enxergamos o talento e a profundidade de seus escritos. Posteriormente, recebemos as composições poéticas das jovens Ana Júlia Baldi e Marcella Barbieri.

Percebemos que as quatro escritoras, que não se conheciam pessoalmente, tinham pontos em comum, por serem sensíveis vozes poéticas. Mas, também, apresentavam traços de estilo e tratamento temático próprios. São textos profundos, que retratam o amor romântico, o caos, o “eu”, mas também a correria e as ansiedades do dia a dia. Temas que fazem o leitor se identificar, que mergulham no interior de cada um e fazem refletir a essência da sua existência: são “Canções do Caos”!

Cada autora tem sua particularidade, seu conteúdo individual, mas apresentam suas reflexões com a mesma intensidade. Decidimos compor a coletânea com seus belíssimos textos a fim de levar ao leitor um novo olhar literário, de autoras novas e, ao mesmo tempo, experientes. Uma literatura contemporânea, representativa da nova geração de escritoras: “Vozes brasileiras”!

A Editora Kapulana agradece a Adriana Cecchi, Andrea Lucia Barros, Ana Júlia Baldi e Marcella Barbieri pela confiança que depositaram em seu trabalho editorial, e tem a honra de levar aos leitores o melhor que há nas palavras dessas grandes escritoras.

São Paulo, 1º de maio de 2017.

Citar como:
“Apresentação” in: BALDI, A. J; BARBIERI, M.; BARROS, A. L; CECCHI, A. Canções do caos, vozes brasileiras. São Paulo: Kapulana, 2017.

II Feira do Livro na Letras – CAELL/USP

Feira com venda de livros – com 30% de desconto

QUANDO: De 14/08 a 17/08 das 9:30 às 21:30 – a Editora Kapulana estará presente nos dias 16 e 17/08

ONDE: FFLCH – USP (Faculdade de Letras)
Av. Prof. Luciano Gualberto, 403 sala 60 – São Paulo, Brasil

CEP: 05508-900


 

SÓNIA SULTUANE

SÓNIA SULTUANE nasceu em Maputo, Moçambique, em 4 de março de 1971. É uma artista multifacetada – poeta, artista plástica, escritora, colaboradora da imprensa e curadora. É uma voz afirmada na poesia, desde a estreia com a obra Sonhos, em 2001. 

Além de escritora e artista plástica, seu mérito é reconhecido, por seu papel social na valorização das mulheres do mundo, por sua participação em festivais internacionais e moçambicanos.

OBRAS DA KAPULANA

OUTRAS OBRAS

  • 2001 – Sonhos. Maputo: Associação dos Escritores Moçambicanos.
  • 2006 – Imaginar o poetizado. Maputo: Ndjira.
  • 2009 – No colo da lua. Maputo: da Autora.
  • 2014 – A Lua de N´weti. Santo Tirso: Editorial Novembro.
  • 2016 – Roda das encarnações. Maputo: Fundação Fernando Leite Couto.
  • 2017 – Celeste, a boneca com olhos cor de esperança. Santo Tirso: Editorial Novembro. 

ANTOLOGIAS (parte da obra)

  • 2003 – Nunca mais é sábado
  • 2006 – Poesia sempre
  • 2014 – Antologia dos silêncios que cantamos, poesia moçambicana
  • 2015 – Zalala
  • 2016-2017 – Universal Lusófona Rio dos Bons Sinais

PRÊMIOS E OUTROS DESTAQUES

  • Prémio Femina 2017 – Mérito nas Letras: Literatura – Poesia em Portugal. Esse prêmio é destinado às “Notáveis Mulheres Portuguesas e da Lusofonia, oriundas de Portugal, dos Países de Expressão Portuguesa, das Comunidades Portuguesas e Lusófonas, e Luso-descendentes”, que se tenham distinguido com mérito ao nível profissional, cultural e humanitário no mundo, pelo Conhecimento e pelo seu relacionamento com outras Culturas.
  • “Escritora do ano 2014”, pelo seu papel social na valorização das mulheres, no Festival Internacional de Poesia Mujeres Poetas Internacional, organizado pelo ‘Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora”.

PARTICIPAÇÕES

  • Gestora de Comunicação e Imagem em firma de advocacia.Cronista na revista Lua do jornal Sol (2011- 2012)
  • Autora do projeto artístico Walking Words 2008 (de grande relevância, inserido em diversas disciplinas artísticas)
  • Membro da AEMO (Associação dos Escritores Moçambicanos)
  • Membro do Núcleo de Arte
  • Embaixadora do MIL (Movimento Internacional Lusófono – Moçambique) na cidade de Maputo
  • Representante honorária do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora em Maputo
  • Membro da Comissão de Honra da Fundação Fernando Leite Couto
  • Membro honorário do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora
  • Membro da Associação de Fotografia de Moçambique
  • Membro do Conselho de Direcção do Arterial Network Mozambique
  • Embaixadora da Casa Internacional de S.Tomé e Príncipe em Lisboa
  • Embaixadora da Loja das Meias em Moçambique

SAIBA MAIS SOBRE A AUTORA

Histórias de bela tristeza, por Elena Brugioni

Conheci pessoalmente Lucílio Manjate em novembro de 2008 aquando da minha primeira ida a Moçambique, numa Maputo chuvosa e abafada em véspera de eleições. Lembro-me com muito gosto de uma interessante e demorada conversa, acompanhada por várias Laurentinas e outras tantas gargalhadas, na esplanada da AEMO (Associação dos Escritores Moçambicanos), onde com o Lucílio conversei longamente sobre literatura moçambicana, ouvindo suas opiniões em torno de projetos, inquietações e ideias que marcavam os jovens escritores moçambicanos que dinamizavam a AEMO, procurando nos caminhos da escrita um rumo para o futuro.

Desde aquela primeira conversa, outros encontros seguiram-se ao longo dos anos; o mais recente em outubro de 2015 em Portugal, onde partilhamos uma bela mesa-redonda por ocasião do Congresso de Comemoração dos 40 anos da Independência de Moçambique, na Universidade de Lisboa. Nesta última ocasião, enquanto ouvia a fala do colega e escritor, cuja obra literária tinha vindo a acompanhar ao longo dos anos, apercebi-me de como o jovem que conhecera naquela tarde de novembro em Maputo tinha-se tornado um crítico fino e engajado cujas reflexões em torno da nova geração de escritores moçambicanos — sobretudo a propósito do recente trabalho por ele organizado, Antologia Inédita – Outras vozes de Moçambique (Alcance, 2014) — despertaram um intenso debate, dando assim um contributo significativo para a homenagem que Moçambique e a sua literatura mereciam naquele evento.

Ocorreu-me contar aqui a breve história do meu encontro com o Lucílio Manjate pois esta parece-me corresponder ao próprio percurso que o escritor tem vindo a apresentar ao público. Um trajeto literário que vem ganhando cada vez mais maturidade, fôlego e engajamento, oferecendo ao leitor o encantamento que se espera das histórias que, como se lê neste Barcolino, nos levam ao mundo perdido e imaginado da infância, “o tom da memória e do sonho” (p. 34). Aliás, A triste história de Barcolino, o homem que não sabia morrer, obra inédita lançada no Brasil pela Editora Kapulana, é um livro que, por inúmeras razões, despertará o interesse de quem procura outros enredos e imaginários, outras formas de ver, escrever e lembrar.

No entanto, devido aos ossos do ofício, isto é aos rumos que as minhas pesquisas sobre a literatura moçambicana vão seguindo, devo confessar que o que mais me intrigou nesta história de “bela tristeza” foi, para além da habilidade e da cortesia da sua prosa, sem sombra de dúvida o lugar da sua ambientação. A Costa do Sol e o Bairro dos Pescadores, onde a cidade de Maputo se junta às águas mansas e densas de mistério do Índico, são os cenários de um enredo todo centrado à volta de Barcolino, “engenhoso pescador”, “homem mais do mar de que da terra” e “conhecedor da fúria de Adamastor” cuja história, atravessando bares, bairros e quintais, transtorna os moradores e confunde os turistas. Pano de fundo insólito construído em torno de um imaginário marítimo que dentro da literatura moçambicana institui-se habitualmente como território sobretudo poético, espacialmente deslocado no norte do país — na Ilha de Moçambique, sobretudo — e que o autor resgata e habita de sonhos que se tornam histórias e de um quotidiano convivial — feito também de lazeres e excessos — num desencontro entre vivência e imaginação de indubitável originalidade narrativa. Este mesmo Índico que vem ganhando cada vez mais peso nas obras dos prosadores moçambicanos de diversas gerações encerra e (re)significa os mistérios e as contradições da triste história de Barcolino, numa viagem inesperada entre o mar e a terra onde a imaginação transforma os sonhos em realidade, levando o leitor pelas partes incertas de outras existências.

São Paulo, 2 fevereiro de 2017.

Elena Brugioni – Professora de Literaturas Africanas, Depto. de Teoria Literária, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Citar como:
BRUGIONI, Elena. “Histórias de bela tristeza”. Prefácio in: MANJATE, Lucílio. A triste história de Barcolino, o homem que não sabia morrer. São Paulo: Kapulana, 2017. (Série Vozes da África)

 

O legado índico da poesia moçambicana – por Carmen Lucia Tindó Ribeiro Secco

Pertencente a uma geração de poetas mais recentes, Sangare Okapi é uma das vozes poéticas que vem se destacando no panorama da poesia dos anos 2000 em Moçambique. Vencedor de prêmios – entre os quais: Revelação FUNDAC Rui de Noronha (2002); Revelação de Poesia AEMO/ICA (2005); Menção Honrosa no Prêmio José Craveirinha de Literatura (2008) –, apresenta uma obra poética não muito extensa, mas de reconhecida qualidade estética. Em Moçambique, publicou: Inventário de angústias ou apoteose do nada. Maputo: Associação dos Escritores Moçambicanos, 2005; Mesmos barcos ou poemas de revisitação do corpo. Maputo: Associação dos Escritores Moçambicanos, 2007; Era uma vez… Maputo: Associação dos Escritores Moçambicanos, 2009 (coautor); Mafonematográfico também círculo abstracto. Maputo: Alcance, 2011; Antologia inédita – Outras vozes de Moçambique Maputo: Alcance, 2014. No Brasil, em 2007, teve poemas publicados na Revista Poesia Sempre, n. 23, da Biblioteca Nacional.

Sangare é um poeta de barcos, viagens e corpos de mulheres e ilhas. Barcos-viagem, travessia, corpo-imaginação, água da poesia.

Como um barco, sem porto, eriça a sensível vela do corpo e, frágil,

o coração nos sirva de bússola:

os remos dispensa,

temos as mãos

para a navegação.

                               (OKAPI, p.37)

No livro Mesmos barcos ou poemas de revisitação do corpo, o eu-lírico navega em pólens femininos, adormece em ventre de pescadores, descansa em paradisíacas ilhas, geografia incomensurável de sal, sol, peixes e mulheres-kiandas. “Peregrino das redes, os barcos contemplo” – declara o poeta, cuja escrita singra os caminhos índicos da poesia e das artes em Moçambique. Dialoga com a pintura de Gemuce, pintor da Ilha de Moçambique. Busca vozes poéticas anteriores que também cantaram essa Ilha e as integra em sua poesia, revelando seduções e encantamentos: Campos de Oliveira, Virgílio de Lemos, Rui Knopfli, Heliodoro Baptista, entre outros, cujo legado poético absorveu e recriou nas malhas de sua poesia.

Mesmos barcos se organiza em três partes. A primeira celebra diversos poetas moçambicanos. A segunda, intitulada “Mesmos Barcos”, com poemas, cuja forma se aproxima à da prosa, faz uma clara alusão a dois importantes poetas moçambicanos: Luis Carlos Patraquim e Eduardo White. A terceira, denominada “O Barco Encalhado”, é formada por um único poema, cujo título coincide com o desta parte, constituindo um tributo a Campos Oliveira, o primeiro poeta de Moçambique.

Okapi inicia a viagem poética que faz emergirem, do fundo da memória, vozes líricas do Índico e da Ilha de Moçambique, a “Ilha Dourada”, de Rui Knopfli, autor de A Ilha de Próspero, mítica ilha, cuja magia inspirou tantos poetas. “Língua: ilha ou corpo?”, poema ofertado a Virgílio de Lemos, faz referências a esse poeta, cuja obra poética sempre refletiu sobre o corpo e o erotismo da linguagem.

Nos livros de Sangare, misturam-se assombros, angústias, amores. A escrita de Okapi é uma viagem interminável por uma literatura erótica e intertextual, ou seja, pela memória e pela linguagem, uma vez que o eu-lírico percorre o sistema literário moçambicano, recuperando poetas do Índico. A voz lírica enunciadora dos poemas de Okapi se comporta como um Ulisses não de Ítaca, mas de afrodisíacas ilhas do norte de Moçambique, cercadas pelo salgado mar do Oriente.

O sujeito poético expressa uma relação erótica com a própria poesia. O corpo poético se torna barco “que lança redes que são letras”, criando uma escrita lírica que ilumina histórias antigas daquelas ilhas, captando sensações amorosas que apreendem cenas do outrora.

Mesmos barcos estremece passados, presentes, insularidades, tenebrosos mares ultrajados, ilhas revisitadas.

A poética de Sangare Okapi presta, assim, homenagem a grandes poetas anteriores: Craveirinha e Patraquim, registrando a relevância desses mais velhos poetas para a poesia moçambicana contemporânea.

Sangare Okapi precisa ser mais lido e conhecido no Brasil. A publicação de Mesmos barcos ou poemas da revisitação do corpo pela Editora Kapulana possibilita esse conhecimento, esse encontro com mais um poeta do Índico, com suas paisagens, gentes. Brindemos, pois, essa importante publicação!

Rio de Janeiro, 19 de fevereiro de 2017.

Carmen Lucia Tindó Ribeiro Secco – Professora Titular de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), ensaísta e pesquisadora do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e da FAPERJ (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro)

Citar como:
SECCO, Carmen Lucia Tindó Ribeiro. “O legado índico da poesia moçambicana”. Prefácio in: OKAPI, Sangare. Mesmos barcos ou poemas de revisitação do corpo. São Paulo: Kapulana, 2017. (Série Vozes da África)

 

Francisco Noa, crítico literário e reitor da UniLurio, de Moçambique, visita sua editora no Brasil, a Kapulana

Em 13/07/2017, Francisco Noa, de Moçambique, autor de livros editados pela Kapulana no Brasil, visita a sede de sua editora, em São Paulo, capital

Na manhã de 14 de julho de 2017, Prof. Dr. Francisco Noa (Doutor em Literaturas Africanas de Língua Portuguesa e atual reitor da Universidade Lúrio, de Moçambique) esteve nas dependências da Editora Kapulana, em São Paulo, capital, acompanhado da Prof. Dra. Tania Macêdo, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.

Foram recebidos pela diretora da Editora Kapulana e por toda a equipe responsável pela edição dos livros do renomado escritor moçambicano.

A Editora Kapulana lançou no Brasil este mês edição inédita de livro de ensaios de Francisco Noa: Uns e outros na literatura moçambicana. A Kapulana já tem outros dois títulos do escritor em seu catálogo: Perto do fragmento, a totalidade: olhares sobre a literatura e o mundo e Império, mito e miopia: Moçambique como invenção literária. São títulos de importância fundamental para os pesquisadores de cultura africana, particularmente de literatura moçambicana. Além disso, têm o mérito de apresentar ao público brasileiro escritores de Moçambique ainda não estudados no Brasil.

A Editora Kapulana foi responsável por sua participação em vários eventos culturais e científicos na cidade de São Paulo, como lançamento de seu novo livro na CBL e visita à Faculdade Zumbi dos Palmares, em São Paulo.

Por ocasião de sua visita à sede da editora, em 14 de julho passado, teve a oportunidade de estar em contato com toda a equipe que participou da elaboração das edições de seus livros. 

O escritor pôde conhecer presencialmente os colaboradores de sua casa editorial, e a equipe da Kapulana teve o privilégio de conversar pessoalmente com o autor de livros da editora. Foi um momento raro, e de suma importância, pois o escritor reside em Moçambique.

A Editora Kapulana agradece a Francisco Noa por sua atenção em conhecer pessoalmente sua casa e seus colaboradores.

 

São Paulo, 14 de julho de 2017.

Veja as fotos: http://www.kapulana.com.br/13072017-escritor-mocambicano-francisco-noa-na-editora-kapulana/

Saiba mais sobre a escritor Francisco Noahttp://www.kapulana.com.br/francisco-noa-escritor-mocambique-literatura-africana/

Leia o prefácio do livro Uns e outros na literatura moçambicana: “Meu encontro com Jorge Amado”: http://www.kapulana.com.br/o-meu-encontro-com-jorge-amado-por-francisco-noa/

 

 


 

Prof. Francisco Noa, Reitor da Unilúrio, de Moçambique, visita a Faculdade Zumbi dos Palmares, em São Paulo

O Reitor da Universidade Lúrio, UniLúrio, de Moçambique, foi recebido na Universidade Zumbi dos Palmares, em São Paulo, capital

O escritor da Editora Kapulana, Prof. Francisco Noa, ensaísta moçambicano, Reitor da Universidade Lúrio (UniLúrio), em Moçambique, e a Diretora da editora brasileira, Kapulana, Rosana Morais Weg, foram recebidos na sexta-feira, 14 de julho de 2017, na Faculdade Zumbi dos Palmares, instituição comunitária, sem fins lucrativos, que tem por missão a inclusão e a formação qualificada de profissionais comprometidos com os valores da ética, dignidade da pessoa humana e diversidade étnico racial.

A visita aconteceu a convite da pró-reitora da Faculdade, Profa. Francisca Rodrigues, que recepcionou os convidados acompanhada da coordenadora acadêmica, Danielle Paiva, e de Cristina Lima, também colaboradora da instituição de ensino.

Os visitantes tiveram a oportunidade de conhecer as dependências da faculdade, assistir a vídeo com apresentação de seus projetos, ver as exposições de painéis e fotos representativos dos ideais e valores da instituição, e trocarem informações e impressões sobre as particularidades das áreas de Educação e Cultura de seus países.

A Editora Kapulana presenteou a Faculdade Zumbi dos Palmares com os três livros do escritor Francisco Noa publicados pela Kapulana – Perto do fragmento, a totalidade, Império, mito e miopia e Uns e outros na literatura moçambicana, este último lançado na véspera, dia 13 de julho, na CBL, Câmara Brasileira do Livro.

Além desses títulos, a editora ofereceu outros de literatura moçambicana e angolana à Pró-Reitora da Zumbi dos Palmares  que, por seu lado, ofertou ao escritor e reitor moçambicano e à Editora Kapulana,  exemplares de publicações dessa famosa instituição de ensino.

A visita foi fundamental para o início de um intercâmbio cultural e acadêmico e o estabelecimento de futuros projetos de cooperação entre a Faculdade Zumbi dos Palmares e a UniLúrio, além de outras universidades de Moçambique. Também estabelece um relacionamento entre a Faculdade e a Editora Kapulana, para parcerias e projetos futuros.

Agradece aos participantes da mesa e a todos os membros da CBL, que receberam tão cordialmente o Reitor da Universidade do Lúrio e escritor da Editora Kapulana.

A Editora Kapulana agradece a Pró-Reitora Francisca Rodrigues pela oportunidade de apresentar a um de seus escritores, também reitor de uma universidade moçambicana, um projeto social e educacional de tamanha relevância, o da faculdade brasileira Zumbi dos Palmares.

São Paulo, 14 de julho de 2017.

 

Veja as fotos da visita: 

Saiba mais sobre a Faculdade Zumbi dos Palmares: http://www.zumbidospalmares.edu.br/index.php/institucional/quem-somos

Saiba mais sobre o livro Uns e outros na literatura moçambicanahttp://www.kapulana.com.br/produto/uns-e-outros-na-literatura-mocambicana/

Saiba mais sobre a escritor Francisco Noahttp://www.kapulana.com.br/francisco-noa/

Leia o prefácio do livro Uns e outros na literatura moçambicana: “Meu encontro com Jorge Amado”: http://www.kapulana.com.br/o-meu-encontro-com-jorge-amado-por-francisco-noa/


 

Editora Kapulana lança novo livro de Francisco Noa em evento na Câmara Brasileira do Livro

A Editora Kapulana apresentou seu novo livro, Uns e outros na literatura moçambicana, de Francisco Noa, em encontro na CBL

Na manhã de quinta-feira, 13 de julho de 2017, o professor e ensaísta moçambicano Francisco Noa, Reitor da Universidade Lúrio (UniLúrio), foi recebido na Câmara Brasileira do Livro (CBL) para o lançamento do seu novo livro, Uns e outros na literatura moçambicana, publicado pela Editora Kapulana, e para compartilhar com personalidades dos meios livreiro e acadêmico, suas experiências como gestor de educação e como escritor.

O presidente da CBL, Sr. Luís Antonio Torelli, presidiu a mesa de debates, que foi  mediada por Francis Manzoni, da coordenação da CPCPLP (Comissão para a Promoção de Conteúdo em Língua Portuguesa). Além de representantes da CBL e da Editora Kapulana, estiveram presentes intelectuais, profissionais do livro, educadores, gestores de instituição de ensino e pesquisa e entusiastas da literatura, do Brasil, de Moçambique e de Portugal.

Noa apresentou seu novo livro, Uns e outros na literatura moçambicana, e falou, brevemente, sobre a literatura moçambicana e a literatura brasileira e sobre o sistema de educação em Moçambique. Colocou questões relacionadas a temas como alteridade, identidade e as novas tendências literárias em Moçambique, mais especificamente, a conexão de autores contemporâneos com o Oceano Índico e o que ele representa para a cultura moçambicana.

A seguir, Francis Manzoni apresentou projetos futuros da CPCPLP que devem contribuir para a integração de ações entre Brasil e Moçambique, dois países de língua portuguesa de grande peso no mundo literário.

Para finalizar, Prof. Noa participou de sessão de autógrafos de seu novo livro de ensaios, o terceiro publicado pela Editora Kapulana, Uns e outros na literatura moçambicana.

A Editora Kapulana agradece a Luiz Álvaro Salles Aguiar de Menezes (Gerente de Relações Internacionais) e a Cinthia M. Favilla (Gerente Executiva de Projetos da CBL) que não mediram esforços para que esse encontro ocorresse.

Agradece aos participantes da mesa e a todos os membros da CBL, que receberam tão cordialmente o Reitor da Universidade do Lúrio e escritor da Editora Kapulana.

A Editora Kapulana agradece especialmente ao professor Francisco Noa pela oportunidade de compartilhar com os brasileiros conhecimentos, percepções e ideias, que contribuem para aproximar Brasil e Moçambique.

O livro Uns e outros na literatura moçambicana está disponível na loja virtual da Kapulana.

São Paulo, 13 de julho de 2017.

 

Veja as fotos do evento na CBL: http://www.kapulana.com.br/francisco-noa-escritor-mocambicano-lanca-novo-livro-na-camara-brasileira-do-livro-em-sao-paulo/

Saiba mais sobre o livro Uns e outros na literatura moçambicana, ensaios,  e leia alguns trechos: http://www.kapulana.com.br/produto/uns-e-outros-na-literatura-mocambicana/

Saiba mais sobre a escritor Francisco Noahttp://www.kapulana.com.br/francisco-noa/

Sobre o prefácio do livro Uns e outros na literatura moçambicana: “Meu encontro com Jorge Amado”: http://www.kapulana.com.br/o-meu-encontro-com-jorge-amado-por-francisco-noa/


 

WALTER ZAND

WALTER ZAND nasceu em Maputo, Moçambique, em 1978. Estudou Cerâmica na Escola Nacional de Artes e licenciou-se em Design de equipamento no ISArC, Instituto Superior de Artes e Cultura. É designer gráfico, consultor na área de desenvolvimento de artesanato moçambicano, músico percussionista e docente de Artes Visuais e Design. Desenvolve atividades sociais usando a arte como ferramenta para empoderar as comunidades menos favorecidas. É também ilustrador de vários livros infantis e fez diversas exposições individuais e coletivas em Moçambique e no estrangeiro.

 

OBRAS DA KAPULANA

Kanova e o segredo da caveira, de Pedro Pereira Lopes. Contos de Moçambique, v. 5, 2017.

 

PRÊMIOS

  • Prêmio BCI Banco Comercial de Investimentos “Residências Artísticas”, 1997.
  • Menção Honrosa Nations Population Fund, 2001.
  • 1° Prémio no V Concurso Nacional de Artes Plásticas “Descoberta”, 2001.
  • 1° Prémio no Concurso Nacional de Artes Plásticas “Descoberta”, 2003.
  • 2° Prémio de Desenho na Musarte, 2004.
  • Prémio Revelação FUNDAC, 2005.
  • Greatmore Studios, Cape Town, 2008.
  • Prémio Logótipo Moçambique Criativo UNESCO, 2011.
  • CCDI (Cape Craft and Design Institute), Cape Town, 2011.
  • 3° Prémio Bienal TDM (Telecomunicações de Moçambique), 2013.

III COPENE SUL – III Congresso Brasileiro de Pesquisadores/as Negro/as

 3º Congresso Brasileiro de Pesquisadores/as Negro/as com o tema: NEGRAS E NEGROS NO SUL DO BRASILdesenvolvimento, patrimônio e cultura afro-brasileira.

QUANDO: 10/7 a 13/7/2017

ONDE: UFSC – Centro de Eventos, Reitoria e CED

Campus Reitor João David Ferreira Lima, s/n – Trindade, Florianópolis – SC

CEP: 88040-900


 

5ª. Feira do Livro – Narrativas Literárias

Feira de livros com 50% de desconto.

QUANDO: 30/06 a 02/06/2017 sexta e sábado, das 10h às 22h, e domingo, das 10h às 18h

ONDE: CCJ – Centro Cultural da Juventude

Avenida Deputado Emílio Carlos, 3641 – Vila Nova Cachoeirinha

(11) 3343-8999

Estacionamento na rua

CEP: 02720-200


 

Das margens: poesia, ainda – por Cíntia Machado de Campos Almeida

Na margem, o reencontro: nós e ‘camarada Patraka’ mais uma vez embaraçados na entremeadura dos versos entoados pela velha voz. Voz que ainda ressoa da rua de Lidemburgo, no subúrbio de Maputo, capital moçambicana. Velha voz, porém provavelmente nova para o leitor brasileiro que, pelo advento da série “Vozes da África”, da Editora Kapulana, poderá, enfim, (re)encontrar-se com significativos nomes da Literatura Africana de Língua Portuguesa.

O ‘Patraka’ a quem nos referimos, com permitido afeto, nasceu Luís Carlos Patraquim, em 26 de março de 1953 na antiga – e à época, ainda colonial – Lourenço Marques, hoje Maputo. Iniciou seus laços com as letras pela carreira jornalística na década de 1970, arriscando-se às searas literárias a partir do ano de 1980, quando da publicação de seu primeiro livro de poesias, Monção.

Para quem ainda não conhece seu (re)nome, uma advertência necessária: trata-se de um profano! Mas o leitor que agora, provavelmente, arregala os olhos, não precisa deixar-se arrebatar pelo espanto. Isso porque, ao conhecermos a obra poética de Patraquim, percebemos que uma das marcas fundamentais de sua escrita é promover profanações com sua poesia, segundo o conceito de ‘profanação’ defendido por Giorgio Agamben1. Para o filósofo italiano, ‘profanar’ significa ‘reusar’, restituir ao uso comum algo previamente sacralizado. Constituindo, pois, uma forma de libertação e de recriação da coisa profanada. Assim, percebemos que Patraquim profana a literatura moçambicana na medida em que a reinventa.

Em 1980, o poeta trouxe a público seu primeiro livro: Monção, inaugurando um novo lirismo intimista na literatura de seu país, o que veio a alicerçar a chamada ‘geração de 80’. O livro de estreia causou grande alarde: questionou-se a funcionalidade daquele estilo subjetivo de escrita num país em que a independência nacional havia sido proclamada apenas cinco anos antes e que experimentava o descompasso de uma casa nacional recém erguida, ainda em processo de construção. Afinal, para que – e para quem –  escrevia Luís Carlos Patraquim?

Desde 1980 até a presente publicação, o poeta inteirou nove livros de poesia – que, em termos cronológicos, equivalem a quase quatro décadas de um exercício lírico espaçado, porém contínuo. Até O cão na margem (2017), constituem os rastros de seu legado poético as obras Monção (1980), A inadiável viagem (1985), Vinte e tal novas formulações e uma elegia carnívora (1991), Mariscando luas (1992), Lidemburgo blues (1997), O osso côncavo e outros poemas (2004), Pneuma (2009) e O escuro anterior (2011).

 Na primeira fase, que se estende entre os anos de 1980 a 1991, ao cumprir uma jornada ainda bastante arraigada às paisagens exteriores, Patraquim reencontra-se com sua terra, ao sul da África. Na segunda fase, constituída pelos livros publicados entre 1992 e 2004, Patraquim reencontra-se com Maputo, seu subúrbio, a inesquecível rua de Lidemburgo, ainda – e para sempre – a abrigar a casa original, bem como as memórias que lá ainda teimavam em habitar.

Consideramos como terceira e – até a publicação de O cão na margem – última fase da poesia patraquimiana, a que se prenuncia pelos, então inéditos, versos de O osso côncavo e outros poemas (2004), e que se consolida com os dois últimos livros publicados pelo poeta até 2011. Eis aí um ciclo que nomeamos de intrapoética, certamente a mais interiorizada, hermética e fragmentada de todas as fases. No encalço das origens da própria poesia, o poeta reencontrou as suas: havia ‘aindas’ para além do breu.

Como se não bastasse profanar a literatura com suas ‘vagamundagens’ poéticas, Patraquim, desta vez, profana também o leitor, na medida em que nos encaminha para a margem da poesia. Com O cão na margem, o poeta evidencia que margear é também uma forma de profanar, pois é nela que o texto nos mostra que a linha não basta. É onde a página se transforma – trans-borda – em um não caber.

Seria o início de uma nova fase de sua poesia? Quem o sabe? Início ou não, toda margem pressupõe uma continuação. Aceitemos o convite do velho-novo poeta, a fim de margearmos a literatura junto a esse cão, em busca de novos começos e reencontros, ao som de uma velha-nova voz de Moçambique, que se pretende, sobretudo, como a voz de um mundo inteiro.

É chegada a hora de o Brasil descobrir para que e para quem escreve Luís Carlos Patraquim.

Rio de Janeiro, 6 de janeiro de 2017.

Cíntia Machado de Campos Almeida – Doutora em Letras Vernáculas, especialidade em Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, pela Faculdade de Letras da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro)

Citar como:
ALMEIDA, Cíntia Machado de Campos. “Das margens: poesia, ainda”. Prefácio in: PATRAQUIM, Luís Carlos. O cão na margem. São Paulo: Kapulana, 2017. (Série Vozes da África)

Miçangas – Ilustrações de Luís Cardoso em “O casamento misterioso de Mwidja”, de Alexandre Dunduro

Miçanga é uma pequena conta colorida, em formato esférico, com um furo no meio. Pode ser de material natural ou artificial. Há miçangas feitas de sementes, conchas, vidro, plástico e de outros materiais coloridos.

No século XVI, em alguns países da África, as miçangas serviram como moeda de troca. O mesmo ocorreu na Europa, alguns séculos mais tarde, quando miçangas de vidro eram utilizadas no comércio de escravos.

É possível unir várias miçangas passando um fio entre seus furos. Os fios utilizados podem ser também de diferentes materiais como fibras de plantas, linha, plástico, elástico e arame.

Ao combinar esses materiais, os artesãos criam objetos com fins diferentes como de adorno pessoal (pulseiras, colares, brincos, enfeites para os cabelos); vestimentas (roupas e fantasias bordadas com miçangas); decoração (esculturas, quadros, cortinas, almofadas); e objetos de celebração (adornos e utensílios religiosos).

Para ilustrar o livro O casamento misterioso de Mwidja, o artista moçambicano Orlando Mondlane criou peças de artesanato com miçangas entrelaçadas por fios de metal, que representam as pessoas, animais, paisagens e moradias que fazem parte da história. Luís Cardoso, também artista moçambicano, fotografou a arte de Mondlane para compor o conjunto de ilustrações do livro.

Uma curiosidade: no Brasil, escreve-se “miçanga”, com “ç”. Nos outros países de língua portuguesa, escreve-se “missanga”, com “ss”.

Citar como:
DUNDURO, Alexandre. O casamento misterioso de Mwidja. Ilustrações de Luís Cardoso e artesanato de Orlando Mondlane. São Paulo: Kapulana, 2017 [Contos de Moçambique, v. 4].

10 curiosidades sobre o vocabulário de MOÇAMBIQUE

Moçambique é um país africano de muitas línguas!

A língua oficial é o Português. Porém, os moçambicanos se comunicam utilizando vários idiomas diferentes, às vezes misturados com termos do Português ou do Inglês. Entre as línguas mais faladas no país estão o macua, o tsonga e o sena.

Trazemos, neste texto, curiosidades sobre o vocabulário moçambicano!

 

Karingana wa (ua) karingana…: Era um vez…

Madala: ancião

Mamanas: mães ou mulheres mais velhas

Kanimambo! Obrigado!

Machamba: horta, pequena plantação

Maçaroca: espiga de milho

Ferry: balsa

Xonguile: bonito, bonita

Xiluva: flor

10ª Nyeleti: estrela

Editora Kapulana lança livro de Luís Carlos Patraquim no Brasil

A Editora Kapulana promoveu sessões de autógrafos do novo livro de Luís Carlos Patraquim, O cão na margem, nas universidades UFRJ e UFF

LUÍS CARLOS PATRAQUIM, consagrado poeta e roteirista moçambicano, foi convidado especial para dois eventos brasileiros: a III MOSTRA DE CINEMA AFRICANO, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, e o ENCONTRO COM O POETA MOÇAMBICANO LUÍS CARLOS PATRAQUIM, na Universidade Federal Fluminense.

No dia 6 de junho de 2017, a Editora Kapulana promoveu o lançamento do novo livro de Luís Carlos Patraquim nas duas referidas universidades: seu livro de poemas O cão na margem.

Na Mostra de Cinema na UFRJ, o público teve a oportunidade de assistir a filmes e conversar com o autor sobre sua obra literária e roteiros cinematográficos. Na UFF, em Niterói, professores, alunos e outros pesquisadores prestigiaram a presença do ilustre poeta, participando de sessão de leitura de poesia e debate sobre a literatura moçambicana.

Os debates contaram com a presença de renomados pesquisadores das áreas de cultura e literaturas africanas de língua portuguesa de várias universidades brasileiras que abrilhantaram o evento com a difusão de suas ideias e tópicos de pesquisas.

O escritor Luís Carlos Patraquim foi aplaudido com entusiasmo e participou gentilmente das concorridas sessões de autógrafos de seu novo livro O cão na margem, da Editora Kapulana.

A Editora Kapulana agradece a todos que contribuíram para o lançamento no Brasil dessa importante obra de literatura moçambicana. Apresenta especiais agradecimentos às equipes da Faculdade de Letras/ Setor de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa da Universidade Federal do Rio de Janeiro e do Instituto de Letras da Universidade Federal Fluminense.

São Paulo, 8 de junho de 2017.

Saiba mais:

Veja as fotos: http://www.kapulana.com.br/06-07062017-lancamento-o-cao-na-margem-na-ufrj-e-uff-no-rio-de-janeiro/

Saiba mais sobre o livro O cão na margem e leia alguns trechos: http://www.kapulana.com.br/o-cao-na-margem-luis-c-patraquim/

Saiba mais sobre a escritor Luís Carlos Patraquim: http://www.kapulana.com.br/luis-carlos-patraquim/

Sobre o prefácio do livro O cão na margemhttp://www.editorakapulana.com.br/das-margens-poesia-ainda-por-cintia-machado-de-campos-almeida/


 

Lançamento do livro “Canções do caos, vozes brasileiras”, da Editora Kapulana, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional

A Editora Kapulana lançou o livro Canções do caos, vozes brasileiras, coletânea de textos poéticos das escritoras Adriana Cecchi, Ana Júlia Baldi, Andrea Lucia Barros e Marcella Barbieri, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo, SP

Na noite do dia 11 de maio, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, loja da Av. Paulista, na cidade de São Paulo, ocorreu o lançamento do livro Canções do caos, vozes brasileiras. Publicado pela Editora Kapulana, o livro é uma coletânea de textos poéticos das autoras Adriana Cecchi, Ana Júlia Baldi, Andrea Lucia Barros e Marcella Barbieri, com poesias e narrativas acerca do amor, da perda e do caos da cidade.

O evento teve início às 18h30 e contou com a presença das quatro autoras, que deram autógrafos e receberem seus convidados, familiares e amigos, além de outros leitores que vieram prestigiar o lançamento da obra.

A Kapulana agradece a todos que puderam comparecer ao evento e à equipe da Livraria Cultura que, através de disposição e apoio, tornou possível mais uma atividade literária.

O livro Canções do caos, vozes brasileiras está disponível para venda na loja virtual da Editora Kapulana.

São Paulo, 12 de maio de 2017.

 

Veja as fotos: http://www.kapulana.com.br/11052017-lancamento-de-cancoes-do-caos-vozes-brasileiras-na-livraria-cultura-do-conjunto-nacional-em-sao-paulo-sp/

Leia alguns trechos do livro: http://www.kapulana.com.br/produto/cancoes-do-caos-vozes-brasileiras/

Saiba mais sobre a Editora Kapulana: http://www.kapulana.com.br/a-editora/

Saiba mais sobre as autoras: http://www.kapulana.com.br/nossos-autores/

 


 

Editora Kapulana na Semana Literária do Colégio Oswald de Andrade, em São Paulo, SP

A Editora Kapulana participou da “Semana Literária” do Colégio Oswald de Andrade, na unidade da Cerro Corá, em São Paulo, SP

A Editora Kapulana participou da “Semana Literária” do Colégio Oswald de Andrade, na unidade da Rua Cerro Corá, em São Paulo, SP. O tema de 2017 foi “Margens”. A Editora Kapulana foi convidada a apresentar aos alunos de ensino médio um panorama sobre Literatura Moçambicana no Brasil.

No dia 10 de maio de 2017, Rosana Morais Weg, diretora editorial da Kapulana, e Mariana Fujisawa, ilustradora de vários livros da série “Vozes da África”, da editora, conduziram a apresentação denominada “Literaturas africanas de língua portuguesa: Moçambique”. A mediadora da apresentação foi a profa. Janaína Arruda da Silva.

A atividade consistiu em palestra, apresentação de vídeo e depoimentos de Rosana e Mariana sobre suas vivências em Moçambique. Paralelamente houve exposição de livros de autores da série “Vozes da África”, como Ungulani Ba Ka Khosa (Orgia dos loucos), Suleiman Cassamo (O regresso do morto) e Noémia de Sousa (Sangue negro). Algumas ilustrações da artista Fujisawa para os livros também estavam expostas.

Para finalizar, o público, constituído por alunos e professores do ensino médio, colocou questões, e um debate foi desenvolvido sobre temas de interesse como: linha editorial, panorama político e literário da cultura moçambicana, divulgação da literatura africana no Brasil, Literatura e História da África nas escolas, o registro escrito e o registro por imagens na literatura, dentre outros.

O público acompanhou atentamente a apresentação e participou do debate com interesse.

A Editora Kapulana agradece ao Colégio Oswald de Andrade que possibilitou à Kapulana mostrar seu trabalho editorial. Agradece a Eric Netto, Coordenador de Bibliotecas e Projetos de Leitura, e a Janaína Arruda da Silva, professora de Literatura. Agradece também à equipe de apoio e organização do evento.

São Paulo, 11 de maio de 2017.

Veja as fotos: http://www.kapulana.com.br/10052017-editora-kapulana-no-colegio-oswald-de-andrade-em-sao-paulo-sp/

Saiba mais sobre a Editora Kapulana: http://www.kapulana.com.br/a-editora/

Saiba mais sobre escritores da Editora Kapulana: http://www.kapulana.com.br/nossos-autores/

Saiba mais sobre o Colégio Oswald de Andrade: http://www2.colegiooswald.com.br/pt-br/conheca/


 

Escritores moçambicanos da Kapulana no Brasil – de 28/04 a 07/05/2017

Escritores moçambicanos da Editora Kapulana participam no Brasil de diversas atividades, em São Paulo, Poços de Caldas e Campinas

UNGULANI BA KA KHOSA, LUCÍLIO MANJATE e SANGARE OKAPI, escritores moçambicanos com livros publicados pela brasileira editora Kapulana, cumpriram extensa agenda de atividades durante sua estadia no Brasil, no período entre 28 de abril e 7 de maio de 2017, em três cidades brasileiras: São Paulo, Poços de Caldas e Campinas.

Em 28 de abril, pela manhã, a comitiva de Moçambique da qual faziam parte os três escritores moçambicanos da Kapulana, autoridades de Moçambique e outros escritores, foi recebida com um café da manhã de boas-vindas na CBL, Câmara Brasileira do Livro, em São Paulo, capital, em cerimônia conduzida por seu presidente Luís Antonio Torelli. A diretora da Editora Kapulana, Rosana M. Weg, participou da mesa de recepção aos moçambicanos, ao lado, entre outros, de Gisele Ferreira, curadora do Flipoços, Roberto Dove, representante do Ministério da Cultura de Moçambique, e Romualdo Jonhan, cônsul de Moçambique no Brasil.

No dia seguinte, 29 de abril, a comitiva moçambicana partiu para Poços de Caldas, MG, sede da 12a. Feira Nacional do Livro de Poços de Caldas e FliPoços 2017 – Festival Literário de Poços de Caldas. Durante a abertura oficial do FliPoços 2017, Ungulani Ba Ka Khosa, autor dos livros publicados pela Kapulana, Orgia dos loucos e O rei mocho, foi o escritor estrangeiro homenageado desta 12a. edição do festival literário.

No dia 1o. de maio, UNGULANI BA KA KHOSA, LUCÍLIO MANJATE e SANGARE OKAPI participaram de sessões de autógrafos de seus livros. Na ocasião, foram lançados dois novos títulos: A triste história de Barcolino, o homem que não sabia morrer, de Lucílio Manjate, também autor de O jovem caçador e a velha dentuça. Sangare Okapi autografou Mesmos barcos ou poemas de revisitação do corpo.

No dia 02 de maio, pela manhã, na esplanada do “Café Concerto”, no Parque José Afonso Junqueira, em Poços de Caldas, MG, a comitiva de escritores de Moçambique, composta pelos escritores da Kapulana, Ungulani Ba Ka Khosa, Lucílio Manjate e Sangare Okapi, e os escritores Paulina Chiziane, Mbate Pedro, Rui Laranjeira e Dani Wambire, participaram de uma sessão ao ar livre de entrevistas e leituras de textos literários, conduzida pelo jornalista e escritor  Claufe Rodrigues, para o programa televisivo Globo News Literatura.

Nos outros dias do importante evento literário, Ungulani Ba Ka Khosa, Lucílio Manjate e Sangare Okapi participaram de várias atividades como encontros com outros escritores, rodas de conversas com leitores, mesas temáticas, sessões de autógrafos no stand da Kapulana/Inalivros, sessões de fotos e filmagens.

No dia 3 de maio, os escritores da Kapulana, acompanhados do escritor Mbate Pedro, participaram da “II Jornada de Teoria Literária e Literaturas Africanas”, na Universidade Estadual de Campinas, Unicamp. O evento foi organizado pelo GELCA (Grupo de Estudos de Cultura e Literatura Africanas) e pelo IEL (Instituto dos Estudos da Linguagem), com o apoio da Editora Kapulana.

Na ocasião os escritores tiveram a oportunidade de falar sobre a história da literatura moçambicana e conversar com alunos, professores e outros pesquisadores sobre o processo de criação literária das diversas gerações de escritores de Moçambique.

Para finalizar o evento, o grupo formado pelas artistas Mariana Rhormens, Ana Pessoa e Thaiane Atanásio fez apresentação cênica com leitura dramatizada de trechos das obras de Ungulani Ba Ka Khosa (Orgia dos loucos), de Lucílio Manjate (A triste história de Barcolino, o homem que não queria morrer) e de Sangare Okapi (Mesmos barcos ou poemas de revisitação do corpo). Escritores e artistas tiveram a oportunidade de interagir com o público e foram bastante aplaudidos.

A Editora Kapulana agradece a todos que contribuíram para a divulgação de seus escritores moçambicanos e suas obras no Brasil: governo de Moçambique, equipe do FliPoços 2017, equipe da CBL (Câmara Brasileira do Livro), equipes da Unicamp, do GELCA (Grupo de Estudos de Cultura e Literatura Africanas) e IEL (Instituto dos Estudos da Linguagem), InaLivros, equipe da Kapulana e aos escritores de Moçambique, e seus acompanhantes, sempre atenciosos e dispostos a participar das atividades propostas.

Saiba mais:

Kapulana, escritores e suas obras: www.kapulana.com.br/nossos-autores

CBL – Câmara Brasileira do Livro, São Paulo, SP – Recepção à comitiva de Moçambique:

http://www.kapulana.com.br/28042017-recepcao-comitiva-de-mocambique-na-cbl-em-sao-paulo-sp/

FliPoços 2017, Poços de Caldas, MG:

Fotos da abertura oficial: http://www.kapulana.com.br/29042017-abertura-oficial-do-flipocos-2017-em-pocos-de-caldas-mg/

Fotos dos lançamentos de livros e sessões de autógrafos: http://www.kapulana.com.br/01052017-lancamento-de-mesmos-barcos-ou-poemas-de-revisitacao-do-corpo-de-sangare-okapi-e-a-triste-historia-de-barcolino-o-homem-que-nao-sabia-morrer-de-lucilio-manjate-no-flipocos-em-po/

Fotos dos encontros dos escritores moçambicanos: http://www.kapulana.com.br/02052017-encontros-dos-escritores-da-kapulana/

Vídeo dos encontros dos escritores moçambicanos: https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=1516171298424814&id=494520167256604

II Jornada de Teoria Literária e Literaturas Africanas”, Unicamp, Campinas, SP:

http://www.kapulana.com.br/03052017-editora-kapulana-na-unicamp-ii-jornada-de-teoria-literaria-e-estudos-africanos/

 


 

EDITORA KAPULANA LANÇA LIVRO DE POETAS BRASILEIRAS: CANÇÕES DO CAOS, VOZES BRASILEIRAS

Noite de autógrafos com:

Adriana Cecchi, Ana Júlia Baldi, Andrea L. Barros e Marcella Barbieri

QUANDO: 11/05/2016 – 18h30

ONDE: Livraria Cultura – Conjunto Nacional – PISO DO TEATRO

Av. Paulista, 2.073

Bela Vista – 01311-940

São Paulo – SP

tel.: (11) 3170-4033